sexta-feira, 16 de abril de 2010

Intransitivo


A carne anda cada vez mais fraca
e o silencio cada vez mais comprometedor
cômicos somos nós que estamos falando sério
e pobres são todos, de uma pobreza irremediável
de uma doença incurável, apesar de todos os esforços
da medicina, da psicoterapia, da parapsicologia
quando a única solução seria um sortilégio.

Há políticas bastantes para não pensarmos em nada
e condicionamento suficiente para termos a ilusão de que pensamos
de que somos livres e vivemos como queremos.
Temos vontades baratas: um novo par de sapato
um pouquinho mais de espaço para alongar as pernas
e se possível mais tempo pra reclamar da vida.

Ah, deveríamos desobedecer secretamente a nós mesmos,
imitar um pouco mais os bichos
inventar qualquer forma mais pura
do que esta selvageria civilizada
do que este progresso cheio de violência
do que esta racionalidade que não deu certo.

Meu irmão, o absurdo somos nós.

Bruna Lombardi

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Lixo: Problema para o Meio Ambiente

O problema da destinação final do lixo é conseqüência de um estilo de vida baseado na aparente necessidade desenfreada de consumo contínuo de produtos. Isso é uma tendência mundial. Só nos últimos 30 anos, toda a quantidade de dejetos se multiplicou por três, principalmente por causa dos restos de embalagens. O aumento e a intensidade da Industrialização são os dois fatores principais de origem e produção desses resíduos, resultantes da atividade diária do ser humano. Portanto, ao mesmo tempo em que o lixo é inesgotável, os problemas de poluição gerados por ele ao meio ambiente são irreversíveis se nada for feito para contê-los.

Além do fato de se estar produzindo mais e mais detritos, sem que eles tenham o devido tratamento, está se explorando indiscriminadamente os recursos naturais não renováveis. O nome disso é desperdício. Portanto, ninguém vai poder falar que "não sabia" quando não houver mais como sustentar os seus hábitos de consumo. Para o ambientalista Vilmar Berna, "existem serviços de limpeza da prefeitura mas as pessoas estão sempre arrumando desculpas para não ajudar. Em uma das atividades de limpeza feita por voluntários ambientais na Baía de Guanabara encontra-se desde sofá, fogão até tampa de refrigerantes. Mas para mim, o desrespeito é o mesmo: tanto de quem joga uma tampinha quanto quem joga um sofá".

O tão discutido Desenvolvimento Sustentável se encaixa exatamente nesse contraponto: as atividades humanas sobre os recursos naturais precisam ser planejadas de modo que se possa usufruir delas sem correr o risco de que se acabe o que, um dia, já foi abundante. Segundo Paul Hawken, autor de Capitalismo Natural: Criando a Próxima Revolução Industrial- obra elogiada por personalidades como Bill Clinton e Fritjof Capra- é preciso que seja redesenhado um novo modelo industrial a partir da ótica do zero desperdício em prol da produtividade responsável, que preze pela preservação ambiental.

As alternativas
A reciclagem é a forma mais racional de eliminação de resíduos pois o material que foi uma vez descartado, volta para o ciclo de produção, o que soluciona a controvérsia da superlotação nos aterros sanitários (onde são enterrados os detritos). Para quem quiser argumentos econômicos, saiba que a reciclagem de uma única latinha de alumínio propicia economia de energia suficiente para manter uma geladeira por quase dez horas. E cada quilo de vidro reutilizado evita a extração de 6,6 quilos de areia, prática com alto impacto ambiental.

O reaproveitamento de um plástico que seja, ajuda a poupar petróleo. Usar o verso dos papéis já escritos significa menos árvores derrubadas. Logo, mais do que uma filosofia de vida, a reutilização pode ser, de fato, um bom negócio à medida em que poupa dinheiro. E você, mesmo sem sair de casa, pode colaborar ativamente com essa causa com atitudes simples, que fazem parte do cotidiano. Para isso, basta incorporar 3 "erres" para o controle do lixo: reduzir, reutilizar e reciclar.

Reduzir implica em evitar o consumo de tudo aquilo que é supérfluo. Isso significa rejeitar produtos com embalagens plásticas e de isopor, preferindo as de papelão que são recicláveis. Reutilizando depósitos de plástico e vidros para outros fins é outra forma de ajudar. E reciclar consiste em fazer coisas novas a partir de coisas usadas, o que reduz drasticamente o volume de lixo, preservando os recursos naturais, poupando energia e melhorando a qualidade de vida das populações. É, basicamente, seguir à máxima de que, na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma.

"E isso sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo". Essas sábias palavras do Chefe Seatlle ficam como um ensinamento do povo indígena para os brancos, para que façam, ao menos, o mínimo já que não atingiram o nível de interagir respeitosamente com o patrimônio natural que o Criador nos legou.

Fonte: institutoaqualung.com.br

terça-feira, 13 de abril de 2010

Você é meu vício (Tu Es Ma Came )

Você é meu vício
O meu produto tóxico a minha volúpia suprema
O meu encontro de amor e meu abismo
Você floresce o mais doce da minha alma

Você é meu vício
És o meu tipo de delícia de programa
Eu te aspiro e eu te expiro e estou doente
Eu te espero como se espera o cesto

Você é meu vício
Eu amo teus olhos, teus cabelos, teu aroma
Venha então eu te provo que te engulo
Você é o meu bonito amor o meu anagrama

Você é meu vício
Mais mortal que a heroína afegã
Mais perigoso que a branca colombiana
Você é a minha solução o meu suave problema

Você é meu vício
A você todos os meus suspiros os meus poemas
Para você todas as minhas orações sob a lua
A você a minha desgraça e a minha fortuna

Você é meu vício
Quando vai embora é o inferno e as suas chamas
Toda minha vida toda minha pele te raclamam
Diria-se que você vaza nas minhas veias

Você é meu vício
Sinto-me reaparecer sob o teu encanto
Quero até te vender à alma
Aos teus pés eu jogo as minhas armas
Você é meu vício.

Carla Bruni

Votos de submissão

Caso você queira posso passar seu terno, aquele que você não usa por estar amarrotado.
Costuro as suas meias para o olngo inverno...
Use capa de chuva, não quero ter você molhado.
Se de noite fizer aquele tão esperado frio poderei cobrir-lhe com o meu corpo inteiro.
E verás como minha a minha pele de algodão macio, agora quente, será fresca quando janeiro.
Nos meses de outono eu varro a sua varanda, para deitarmos debaixo de todos os planetas.
O meu cheiro te acolherá com toques de lavanda - Em mim há outras mulheres e algumas ninfetas - Depois olantarei para ti margaridas da primavera e aí no meu corpo somente você e leves vestidos, para serem tirados pelo total desejo de quimera.
Os meus desejos ireie ver nos teus olhos refletidos.
Mas quando for a hora de me calar e ir embora sei que, sofrendo, deixarei você longe de mim.
Não me envergonharia de pedir ao seu amor esmola, mas não quero que o meu verão resseque o seu jardim.
(Nem vou deixar - mesmo querendo - nehuma fotografia.
Só o frio, os planetas, as ninfetas e toda a minha poesia)

Fernanda Young

sábado, 10 de abril de 2010

Quando a solidão dói demais...

Em primeiro lugar, creio que seja imprescindível esclarecer que as pessoas não se sentem solitárias somente quando não estão se relacionando afetivamente com outra. Muitas vezes, a solidão toma conta da gente de forma profunda e dolorosa mesmo quando estamos acompanhados. Por outro lado, muitas pessoas não experimentam esse sentimento nem quando estão sós.

Então, vale dizer que a solidão é um sentimento que nada tem a ver, necessariamente, com o fato de estarmos sozinhos ou comprometidos. Antes de aflorar e tornar pesada e triste a nossa vida cotidiana, a solidão é uma dor que nasce dentro da gente, em função de um vazio que deveria ser preenchido não por qualquer outra pessoa que não seja nós mesmos. Solidão é a falta latente e excessiva de amor-próprio. Ou seja, é a carência de um sentimento que nem nós mesmos estamos conseguindo nos dar.

Mas, geralmente, justificamos a solidão que sentimos pela ausência de um amor, de um relacionamento afetivo satisfatório, compensador, recíproco. E, assim, nos sentindo vítimas de um abandono inexplicável, conseguimos apenas chorar. A impressão que temos é a de que o mundo não tem mais razão de ser, como se esse espaço vago, escuro e frio que ocupa o nosso coração fosse transbordar e inundar toda a nossa vida, nos afogando numa tristeza sem fim...

No entanto, costumo pensar que a vida é uma grande mestra. Acredito sempre que as nossas dores são como preciosos sinais, para que percebamos que algo precisa ser mudado. Então, se você sente que a solidão está consumindo toda a sua alegria de viver, sugiro que você tente descobrir o que a vida está querendo lhe dizer. Qual é a parte dentro de você, ou qual é a área de sua vida que você abandonou? E em nome de que ou de quem você tem feito isso consigo próprio?

Imagine uma boneca numa prateleira de uma loja. Por algum descuido de um vendedor, ela caiu atrás de outros brinquedos e ficou invisível aos olhos dos compradores. Assim, meses se passaram e ela foi ficando empoeirada, suja, sem cor e sem atrativos. Certo dia, um vendedor encontrou a boneca enquanto limpava as prateleiras. Imediatamente pensou em jogá-la no estoque da loja, como mercadoria estragada. Afinal de contas, comparada aos demais brinquedos, com aparência de novos, perfume gostoso, cores vibrantes e embalagens atraentes, certamente ninguém se interessaria por aquela boneca e ela ficaria ali somente ocupando espaço. Realmente, ele tinha razão em seu raciocínio. Ninguém daria preferência a um brinquedo sujo e feio podendo escolher entre tantos outros bonitos.

Nós também somos como as lojas de brinquedos e, na correria do dia-a-dia, algumas de nossas bonecas, alguns de nossos brinquedos caem atrás de nossas prateleiras. Terminamos nos esquecendo deles e eles perdem seu viço, sua cor, seu brilho. De repente, ao olharmos para dentro de nós com um pouquinho mais de atenção, descobrimos nossos brinquedos sujos. O que fazemos? Jogamos um por um em nosso depósito de lixo? Desistimos deles por causa de seu estado de deterioração?

Não somos objetos, somos pequenos pedaços de amor, somos fragmentos de vida e precisamos de cuidados que somente nós mesmos podemos e sabemos nos dar. Ao invés de ignorarmos nossas partes sujas e feias, precisamos urgentemente cuidar delas, limpa-las, trata-las com carinho e transforma-las em luz, em beleza, em atrativos.
Caso contrário, os meses vão passando, os anos vão embora e a nossa vida vai se resumindo em prateleiras vazias e depósitos abarrotados de lixo! E o que nos resta é uma solidão profunda e dolorida, um silêncio amargo que impregna tudo ao nosso redor. Mas felizmente podemos mudar isso. Sempre haverá força e coragem em algum cantinho de nossa loja para iniciarmos uma limpeza geral.

Dispense a solidão e contrate o amor como segurança da sua loja. E esteja certo de que ninguém fará isso por você, por mais que você espere, por mais que você peça, por mais que você implore. Surpreenda a todos. Surpreenda você. Feche-se para uma reforma. Coloque-se um prazo para reabertura de suas portas e inaugure uma nova e maravilhosa loja, com prateleiras repletas de lindos brinquedos. E eu lhe garanto que a solidão passará longe de sua porta!

Fonte: tempodepoesia

A Abelha e a Flor


Ide para os vossos campos e jardins e aprendereis que o prazer da abelha consiste em retirar o mel da flor.Mas também a flor tem prazer em dar o seu mel à abelha.Pois para a abelha a flor é uma fonte de vida. E para a flor a abelha é mensageira de amor.E, para ambas, abelha e flor, o dar e o receber de prazer é uma necessidade e um êxtase.

khalil gibran

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Amor, vamos discutir a nossa relação?

DISCUTIR A RELAÇÃO é um ato recente. Antigamente, lá pelos anos 60, não se fazia isso. Quando o namorado ou a namorada chegava para o outro e dizia: "Sabe, eu estive pensando...” Pronto, o ouvinte já sabia que era o fim. Não havia mais o que discutir. Saía cada um para o seu lado dizendo que houve (que saudades) uma "incompatibilidade de gênios". Isso resolvia tudo.

E os nossos pais jamais discutiram a relação. Nem mesmo a relação sexual. Dava-se uma porrada e não se falava mais naquilo. As mulheres (infelizmente) sabiam do seu lugar ao lado do fogão, sem o fogo do amado.

Mas o mundo girou, a lusitana rodou, vieram os psicanalistas e as feministas. Sim, foram eles que instigaram as mulheres a DISCUTIR A RELAÇÃO. Sim, são sempre as mulheres que começam (e acabam) as discussões e as relações. Os terapeutas, porque colocam na cabeça da gente que devemos dizer tudo que pensamos da pessoa amada para ela e não para o melhor amigo. E as feministas, bem, as feministas...

Mas, antes de surgir a expressão DISCUTIR A RELAÇÃO, tivemos outros nomes para a mesma desgastante peleja. "Vamos dar um tempo' não durou muito. Depois surgiu "Nossa relação está desgastada". Por que não "gastada"?

Hoje, modismo ou não, não há casal que não DISCUTA A RELAÇÃO, pelo menos uma vez por semana, igualando ao número de atividades sexuais. DISCUTE-SE A RELAÇÃO nos mais variados lugares. Alguns sombrios, outros perigosos.

O melhor lugar para se discutir a relação é na sala. Está-se próximo do uísque, da televisão que pode ser ligada a qualquer momento e mesmo da porta, para uma saída furtiva e quase sempre covarde. E é ótimo DISCUTIR A RELAÇÃO andando em círculos, com um copo na mão, um ouvido na fera e um olho no futebol. Sim, as mulheres adoram esta atividade aos domingos. Eu tenho um amigo que, quando quer sair sozinho com os amigos, diz: "Vou até lá em casa e dou um jeito de DISCUTIR A RELAÇÃO com a patroa, ela fica irritada e eu tenho um motivo para voltar aqui para o bar'.

DISCUTIR A RELAÇÃO no quarto só tem duas saídas. Tudo terminar numa belíssima e lacrimejante cena de amor (às vezes, até com uns tapinhas carinhosos) ou a ida de um dos meliantes para o outro quarto. No quarto, é impossível se tratar deste assunto impunemente. Principalmente se os dois atletas estiverem deitados. E nus. E se houver alguma faca por perto. Vide Robbit.

No carro, é um perigo. Deveria haver multa para esses casais que colocam em risco não apenas a vida deles, como também dos transeuntes e demais carros. DISCUTIR A RELAÇÃO dentro do carro sempre acaba em trombada na cara. E quem está dirigindo leva sempre a pior. Ou então propor um rodízio. Segunda, não discutem casais com final 1 e 2. Terça, 3 e 4. E assim por diante.

Agora, não há nada mais desagradável do que DISCUTIR A RELAÇÃO por telefone. É um horror. Geralmente é de madrugada. Longos silêncios... "Você está me ouvindo? Você está aí?" A gente não vê os olhos da outra pessoa, o sarcástico sorrisinho, a pequena lágrima rolando. Sem falar na conta do telefone.

E no restaurante, vocês já repararam? Sempre tem alguns casais que chegam calados, comem calados e calados saem. Um não dirige a palavra para o outro. Ledo engano. Eles estão, em silêncio, DISCUTINDO A RELAÇÃO. Acho uma covardia DISCUTIR A RELAÇÃO em silêncio. Eles não falam nada. Ela fica quebrando palitos e ele rasgando o guardanapo de papel. Imundando o restaurante.

Já os mais modernos DISCUTEM A RELAÇÃO via Internet. Ele digita um disparate para ela na Vila Madalena, o texto vai para um satélite, dali vai para Columbus (Ohio, USA), volta ao satélite, baixa na central do Rio de Janeiro e, finalmente, entra no computador dela em Pinheiros, a uns 500 metros de distância. Depois é a vez dela fazer o mesmo. Coitado do satélite que tem que decifrar aqueles palavrões todos. Em português, é claro!

Mas o pior não é DISCUTIR A RELAÇÃO. O pior é pagar fortunas a um profissional, sentar-se numa poltrona ou divã e ficar ali, durante 50 minutos, por intermináveis semanas, meses a fio, anos seguidos, repetindo tintim por tintim como foi a nossa última conversa com o ser amado, fazendo um esforço danado para lembrar fala por fala, todos os diálogos. E o terapeuta lá, com aquele olho de peixe morto, caído, quase bocejando, ouvindo, pela oitava vez, naquela mesma tarde, a mesma nauseante história de amor.

Sim, porque com ele a gente não DISCUTE A RELAÇÃO. Discutimos, no máximo, o preço. Da nossa dor.


Mário Prata