quarta-feira, 20 de maio de 2009

Eternamente Maysa

Pensei em Maysa pela bela interpretação da canção "VIAGEM" onde estarei postando um vídeo em homenagem a minha Mãe que sempre cantava na minha infância e adolecencia com a sua linda voz esta canção.
Mirtes Crspo

Após a segunda guerra mundial a Europa teria que ser reconstruída e o grande financiador dessa tarefa foram os Estados Unidos com o plano Marshal, enquanto isso o mundo entrava pouco depois nos anos cinquenta com suas esperanças renovadas. Era um momento de retomadas em todos os campos da atividade, principalmente nas artes que iria traçar seus novos horizontes, porém antes que a transformações viessem, vivíamos uma espécie de entressafra, aquele período inicial que antecede as grandes mudanças.

No Brasil tivemos acontecimentos políticos desastrosos que tramavam um novo direcionamento para o nosso destino, o principal deles o suicídio do presidente Getúlio Vargas e depois as turbulências que resultariam no quase impedimento à posse de Juscelino Kubistchek no comando da nação dois anos depois em 1956. Como se diz no velho ditado popular, “depois da tempestade vem a bonança” e o Brasil bem como o restante do mundo ocidental caminhou para uma era de prosperidade econômica, social, política e cultural.

Vivíamos o auge dos programas de rádio em nosso país e a televisão já era uma realidade transformando hábitos e contribuindo para a ascensão da classe média que a cada instante fazia valer os seus valores e iria impô-los a sociedade. Nesse caldeirão de profundas transformações a música popular vivia um momento atípico, pois, víamos surgir a todo instante ídolos de massa, mas com um repertório que ficava muito a desejar se fossemos compará-lo com o que fora produzido nos anos trinta e quarenta. Era a tal fase de ajustes a que já nos referimos, ouvíamos boleros de todos os tipos, o jazz invadia as boates que se proliferavam com uma enorme intensidade, o carnaval com as suas marchinhas e sambas começam a perder terreno e a música de meio de ano, o chamado samba canção inicia sua mais fecunda trajetória, a cornitude esta na moda, os amores tristes e soturnos agora regados com um bom whisky invadem os lares e as casas noturnas, contudo, eles vêem acompanhados de um lirismo sentimental dos mais belos.

É nesse ambiente de mudanças que surgem alguns artistas que serão a cara desses tempos vulgarmente chamados de anos dourados. E entre esses personagens que vão marcar a nossa cena musical desponta uma cantora de voz grave e doce ao mesmo tempo, frequentadora das mais altas rodas sociais, o hi society, deslumbrando o país com seus versos tristes e românticos acompanhados de lindas melodias, seu nome, Maysa Matarazzo que com sua música inesquecível e reveladora, irá se projetar em todo o país com o som melancólico de seu primeiro grande sucesso, “ouça vá viver a sua vida com outro bem..”, em 1956. A partir de então a moça da alta classe se torna uma cantora profissional e passa a gravar sistematicamente sempre alcançando elevados índices de popularidade e vendas de discos.

Em 1957 a gravadora RGE vendo o sucesso de sua nova contratada a quem havia apostado, lança no mercado o terceiro disco de Maysa, um LP intitulado Convite Para Ouvir Maysa nº 2, dando prosseguimento a uma série iniciada no ano anterior. Nesse disco a mais nova sensação da música popular brasileira desfila um repertório fabuloso de canções que se tornarão célebres, algumas de sua autoria, como por exemplo, Meu mundo caiu, clássico do cancioneiro trágico/lírico/romântico de nossa canção e outras que se eternizarão em sua interpretação, como, Bom dia tristeza, de Vinicius de Moraes e Adoniran Barbosa, Bronzes e cristais, de Alcyr Pires Vermelho e Nazareno de Brito, Por causa de voce, de Tom Jobim e Dolores Duran, Bouquet de Isabel, primeira música gravada de Sérgio Ricardo e Caminhos cruzados, de Tom Jobim.

Essas e outras músicas são acompanhadas pela orquestra RGE sob o comando do maestro Henrique Simonetti em arranjos monumentais, doces e maravilhosos, que soube como ninguém captar todo o sentimento que Maysa impôs as suas interpretações, deixando-nos por alguns momentos perplexos diante de tamanha entrega e sentimentalismo nostálgico embalando nossas alegrias, ternuras, dramas e tristezas. Ouvir Maysa, portanto, e ter o melhor da música romântica brasileira em nossas mãos e relembrá-la é um dever de gratidão a quem tanto contribuiu para a beleza da música popular de nosso país, portanto, deixo aqui este convite para ouvir Maysa a fim de elevarmos nosso estado de espírito para o que há de mais belo.

FONTE: Luiz Américo Lisboa Junior

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